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terça-feira, 12 de maio de 2009


Querida Dona Rose,


Como era de se esperar, seus bombons recheados foram um sucesso. Louise ficou envergonhada por você ter tido o trabalho de fazer os bombons, mas eu disse que você não ia me deixar vir sem trazê-los.

O festival foi muito bonito, mas aconteceram algumas coisas estranhas. Na segunda noite ouvi um barulho de portão de ferro vindo das casas próximas ao centro. Louise estava junto comigo e fomos ver o que era, vimos então um homem caído na rua. Lembro de quando você me disse que quando uma pessoa se torna médico e gosta do que faz, não consegue nunca negar a profissão. Ele tinha levado uma pancada forte na cabeça e tentou caminhar até onde tinha mais gente, mas não aguentou muito tempo. Mais tarde ele disse que estava trabalhando como segurança do banco. Mas até agora não teve nenhuma notícia de roubo. É estranho, pois tenho quase certeza de que a pancada não foi acidental. Mas eu sou um médico, não um investigador criminal, então tento não me preocupar muito mais com isso. O segurança já está passando bem, portanto estou mais tranquilo.

Falando em investigações e mistérios, Louise anda recebendo poemas de um admirador secreto. Diz ela que não faz idéia de quem seja. Durante o festival ela recebeu mais um poema e quase explodiu de vergonha quando a forcei a me mostrar. Seja lá quem for, é um ótimo poeta.

Lembra-se do Sr. e Sra. Brewer? Eu e Louise fomos acolhidos por eles assim que chegamos à cidade, ainda crianças. Como ela não apareceu no festival, fui visitá-los. A Sra. Prudence estava bem fraca logo que cheguei. Mas depois que passei a cuidar dela, tem apresentado melhoras significativas. Parece-me que estava tomando alguma medicação errada, ainda não tenho certeza.

Ficarei por aqui até o fim do mês, espero que o pessoal do hospital saiba se virar mais um tempinho sem mim. Continuarei a mandar notícias.

Um Abraço,


William.


quarta-feira, 22 de outubro de 2008


Querida vovó,


Estou preocupada. As coisas não vão tão bem como eu imaginava aqui em casa. A senhora vai me condenar por isso, mas sem querer acabei lendo algumas linhas de uma carta, quando separava a correspondência de tio Andrew. Parece que ele está devendo dinheiro a um homem de sobrenome Stockton, que já veio à cidade algumas vezes e não é nenhum exemplo de honestidade. Acredita que ele insinuou que usaria de meus favores enquanto tio Andrew não arruma o dinheiro?

Tenho medo que tia Prudence tome conhecimento dessa história; sua saúde já está tão frágil... Simon também nada sabe e eu prefiro não lhe dizer ainda. O humor dele só piorou, com a semana de tratamento em Londres, mas acho que a companhia de Amelia, ao retornar, lhe fez bem. Ela consegue fazê-lo rir de uma maneira que eu jamais consegui. Deve ser por causa de seu jeito despreocupado, sua maneira de rir da vida. Pelo menos ela o faz feliz.

Dia desses, recebi um convite para o baile do festival. Estava considerando a proposta, mas agora acho que devo fazer companhia ao detestável Sr. Stockton. Não que meu tio vá me pedir isso, mas prefiro me oferecer a vê-lo se constranger diante do tratante. Dessa maneira, terei que recusar o gentil pedido de Phillip, que, apesar de as pessoas viverem dizendo que é um chato pomposo, é um bom rapaz. É diferente da irmã, que não diz meias nem palavras demais. Definitivamente não merecia a recusa que eu terei que lhe oferecer.

Espero poder mandar-lhe boas notícias em breve, vovó.


Elise

domingo, 5 de outubro de 2008


Estimadíssimo amigo Andrew,


Como é do seu conhecimento, o tenho em grande consideração. Parece-me que o senhor esqueceu de me dar notícias, assim, tenho que lhe fazer uma visita em breve para me manter inteirado dos acontecimentos, não? Tenho certeza de que seria muito bem recebido.

Por coincidência, num dia qualquer, um tablóide me caiu em mãos de maneira ocasional e vi um anúncio sobre a festa da cidade. O senhor sabe como eu tenho um espírito festivo, não? De modo que esse é o motivo que me traz à sua terra. Música, um bom uísque... Que mais pode alimentar uma alma atormentada? Belas garotas... Ah sim, sim! Seria um colírio para esse par de olhos acostumados com a rudeza humana... Garotas como a sua sobrinha. Como ela se chama mesmo? Adoraria dançar com ela. A propósito, vai bem? E sua esposa?

Tratei de me informar sobre o senhor – amigo interessado que sou – assim que cheguei à cidade. Topei com um rapaz muito simpático que trabalha no banco Gallagher & Lancaster. Ele prontamente se ofereceu a me ajudar, sempre com muita boa vontade. Naturalmente, tive que ajudá-lo também, já que o rapaz é pobre e tem uma tia doente. Tenho o coração mole, você sabe disso. Dei uns trocados para que o rapaz comprasse o leite. Bem, o rapazinho me disse que sua conta no banco não é das mais saudáveis e que seu balanço tende a gostar do vermelho.

Fiquei um tanto contrariado ao saber disso, afinal, esperava que o senhor acertasse aquela pequenina pendência comigo. Sabe, também preciso de dinheiro e no momento, tenho muito pouco nos bolsos, de modo que me hospedei numa pensão que mais parece um pardieiro. Mas fico tranqüilo, pois sei que o senhor me pagará tudo até o festival, não é verdade? Caso não consiga – coisa que duvido muito e nem quero pensar - sei que vai me presentear com sua casa, para que eu e meus amigos fiquemos bem instalados. Agora sei que o senhor vai lembrar-se de mim, não vai? Aguardo ansiosamente por notícias.

Um forte abraço do seu amigo e criado,


Patrick Stockton.

domingo, 17 de agosto de 2008


Querida vovó Jane,


Há algum tempo queria lhe falar, mas ando tão ocupada com os preparativos do festival que nem pude ir à sua casa para fazer-lhe uma visita. Eu sei que ando ansiosa demais com o evento, mas há de ser uma excelente ocasião para conseguir negociar o estoque de folhas de chá dessa temporada, antes do inverno. Desde que vim morar com tio Andrew, aos doze anos, nunca o vi tão otimista e até tia Prudence, mesmo fraca, está ajudando com a decoração.

O que me preocupa é meu primo Simon. De uns dias pra cá, anda mais arredio que o de costume. Não sei se tem algo a ver com a doença de sua mãe ou com outra coisa. Na verdade, acho que está apaixonado. A senhora sabe que ele tem um complexo estúpido por causa do problema na perna, que o faz mancar. Ele tornou-se uma pessoa tão amarga, vovó; está sendo difícil lidar com tamanho orgulho e o sarcasmo, que já faz parte dele. Na verdade, acho que ele sente pena de si mesmo e, por isso, pensa que não é digno da moça. É mesmo um tolo.

Não sei quem ela é, mas faço uma idéia. Nada encanta tanto meu primo quanto uma mente rápida e senso de humor refinado e, das moças que eu conheço, só a irmã de Phillip, aquele amigo dele, corresponde a essas expectativas. Ocorreu-me que Amelia, apesar de parecer superficial, é a única que consegue conversar com Simon sem entediá-lo. Talvez eu devesse ajudá-lo com isso, mas ele tem sido continuamente rude comigo, mesmo sabendo que tenho verdadeira aversão ao seu irritante e já mencionado sarcasmo. Não tenho mais paciência, vovó, então é melhor mesmo deixá-lo resolver-se sozinho.

Prometo-lhe que a visitarei logo que tiver algum tempo. Estou com saudades.


Elise