quarta-feira, 8 de abril de 2009


Prezado Sr. David Berestford,


Tentei diversas vezes falar com o senhor durante o Festival da Colheita, entretanto não encontrei uma oportunidade adequada. Venho, então, por meio desta, fazer-lhe um pedido, em nome de nossa cidade. É sabido que o senhor possui um jornal em Londres, então eu achei apropriado solicitar uma pequena nota sobre tal acontecimento, que foi o festival. Segundo fiz questão de frisar no meu discurso de abertura — que, modéstia à parte, foi efusivamente elogiado —, é de conhecimento geral que o nosso festival, apesar de antigamente ter tido um motivo religioso, é hoje mais voltado para o comércio. Dessa maneira, alguma publicidade poderá trazer a todos alguns benefícios.

O senhor deve ter conhecimento de que a celebração teve origem nos tempos ancestrais, em homenagem a Latiaran, deusa celta da colheita. Durante as tradicionais celebrações, o povo agradecia a colheita que antecedia o inverno; os donos de plantações trocavam seus produtos e estocavam para a estação fria e improdutiva. A tradição foi mantida, pois já fazia parte da nossa cultura, além de ser excelente para fins comerciais. O senhor deve ter percebido que as músicas, as danças, a culinária e até mesmo a vestimenta das moças no baile de encerramento são bastante tradicionais, bem diferentes do que se vê hoje. Essa é parte do encanto do festival, o caráter cultural que foi mantido, mesmo com o passar dos anos.

Nossa cidade possui uma história bastante interessante, que poderá ser citada juntamente com a nota sobre o festival. Creio que o senhor certamente deve ter atentado para tal curioso assunto em meu discurso, pois discorri amplamente sobre vários pontos, desde o surgimento das festividades à fundação da cidade por Sir William McKeller, nobre barão inglês. É sabido que o nosso ilustre fundador foi um dos barões que impôs a primeira carta magna ao rei João Sem Terra, iniciando uma nova fase constitucionalista na história da humanidade. Quando percebeu o grande potencial das chamadas "ligas hanseáticas", Sir William aliou-se aos burgueses e aproveitou-se do fato de que nesta terra passavam importantes estradas usadas pela rota comercial, fundando aqui uma vila. Nossa vila — agora cidade — entrou, então, para as ligas, mesmo não sendo uma das cidades principais. E, dessa maneira, ela tornou-se o que é hoje, uma notável cidade, que cresce continuamente.

Encerrarei a carta por ora, mas ponho-me à disposição para quaisquer esclarecimentos que forem necessários. Espero a sua compreensão e apoio à minha proposta. Creio que a divulgação de tais informações será enriquecedora para nossa cidade.


Atenciosamente,


Phillip Farrington


5 comentários:

Pâmela disse...

Coitado de quem ouviu o discurso dele inteiro... Deve ter sido um tédio!
Hahahahahaha!

Marina disse...

Se é que alguém ouviu, Pâmela. Hahahaha!

Magna Santos disse...

Adorei a carta, cheia de detalhes. Cá pra nós, esse Phillip deve ser casado com um espelho...ô narciso danado, né não?
Beijos.
Magna

Paulinho Andrade disse...

Essa ficou excepcional, uma das melhores cartas do blog sob todos os aspectos.

Paulinho disse...

Boring people.