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domingo, 12 de outubro de 2008


david,


escrevo com Urgência e com medo. não consegui identificar Suspeitos na estação. tentei conversar com o delegado novamente, mas Ele insistiu em dizer que está Ocupado com os Casos mais sérios, e é Óbvio que não irá gastar esforços em recuperar papéis.


Durante esses dias lembrei-me bastante da conversa interessante que tivemos quando tu viestes aqui pela última vez. aquela tua euforIa voltou a me assustar, e em nenhum momento ouvi de tua boca o motivo para tanta aleGria. talvez seja só paranóia minha, sei que O suCesso de meu último livrO te empolgou, e que tens grandes expectativas para esta coletânea de poesias.


irei Manter-te informado das Boas novas da cidade, e dos rostos que virão visitar o festival. seI que gostarias de saber o que se passa por aqui, aiNda mais na época de maior agitação.sofia está preocupada contigo, ela deseja que tu venhas para cá, Apreciar o festival, aliviar um pouco o cansaço do trabalho. eu espero que tu ouças o que ela diz. seria bom ver-te novamente aqui, podemos passar horas conversando e nos Divertindo com as novas histórias.


um abraço de seu amigo,



daniel


p.s. preciso comprar Outra maquina de escrever.



segunda-feira, 22 de setembro de 2008


Caríssimo Frank,


É uma imensa pena que não possas vir à cidade em ocasião do festival, conforme pedi. Esperava que tua presença pudesse me trazer um pouco da tranqüilidade de que preciso, principalmente depois do que houve com Daniel. Aquele furto foi demais para todos e ele continua sem saber o que fazer, ainda mais sem David por perto. Daniel é um poeta idealista, não sabe lidar com questões práticas como aquela dos documentos roubados. Deves imaginar o quanto ele está perdido.

Eu sei que tu nunca gostaste de David; ele pode ter muitos defeitos, mas tens que concordar que lidaria com esta questão muito melhor que nosso amigo Daniel. David é prático e ambicioso, além de conhecer bem seu adversário, devido aos anos de sociedade. E se eu conheço o meu amigo, ele está pensando numa maneira de reaver os papéis.

Como se não bastasse, Madeline pegou uma gripe forte esses dias e ficou acamada. Tive, então, que alternar as horas do meu dia entre os trabalhos no ateliê, as visitas freqüentes de Daniel e o quarto de minha irmã. Mas, como ela sempre foi uma criança forte, não tardou a melhorar. Era notável a sua ansiedade para sair daquele quarto e ir brincar.

Não sei se receberás esta carta de pronto, pois partiste em treinamento e eu sequer sei onde estás neste momento. Enviarei ao lugar de sempre e aguardarei tua resposta, da qual espero boas notícias.


Liberté toujours,

Sofia


terça-feira, 19 de agosto de 2008


Amigo David,


Sei que não gostas de receber más notícias por cartas, mas não posso pegar o trem durante esta época. Fiquei de te enviar meus últimos poemas para a edição do livro, mas ontem à noite minha casa foi invadida. Eu estava na casa de Sofia, portanto não presenciei o vandalismo, mas quando voltei para o meu descanso meu escritório estava todo revirado.

Muitos papéis estavam jogados pelo chão, os armários revirados, as estantes bagunçadas, mas o maior desespero foi quando vi as gavetas forçadamente abertas. Estavam vazias. Perdi os artigos que me enviaras, os documentos e meus poemas, que guardava com tanto carinho, esperando a oportunidade de te mandar.

Não sei o que fazer, a polícia se recusa a me ajudar, pois não me foi roubado nada de valor, “apenas papéis” dizem eles. Como se as palavras não tivessem valor! Não preciso te explicar isso, pois tu, acima de tudo, sabes a preciosidade que me foi tirada.

Lamento não ter conseguido proteger papéis tão importantes para nós. Estou te escrevendo sem ter tido um minuto de descanso desde o incidente. Não acho necessário entrar em detalhes sobre suspeitos, pois assim como eu, já deves saber quem ordenou tal crime. O problema é encontrar quem de fato entrou em minha casa. Mas conferi os itinerários na estação de trem e nenhum deles parte durante a noite para esses lados. Ainda tenho chances de pegá-lo.

Desculpa-me por tantas preocupações, meu amigo. Deseja-me sorte para que tudo acabe bem.

De seu leal parceiro,

Daniel